MATÉRIAS DA FIC FRIO

 

 

BUSCA POR ADAPTAÇÕES ECOLÓGICAS

A partir da promoção de eficiência energética, desenvolvimento tecnológico e socioeconômico, o iCS, com o Projeto Kigali, busca soluções ambientais

A realização de conferências climáticas alerta sobre os impactos da mudança do clima em ecossistemas, comunidades e economia e também sobre a necessidade cada vez mais imediata da busca por mudanças de atitudes e de modelos de produção e consumo. Segundo o Banco Mundial, as perdas relacionadas a catástrofes naturais já atingiram a marca de 520 bilhões de dólares anuais. E as notícias recentes não são mais animadoras. Um relatório divulgado pela ONU, em novembro deste ano, demonstra que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) – um dos gases causadores do efeito estufa – aumentaram em 2017, após um hiato de três anos. Nesse contexto, a coordenadora das atividades do iCS - Projeto Kigali, Kamyla Cunha, apresenta ações desenvolvidas pelo iCS na área da refrigeração.

O que é o iCS e qual a sua atuação?
O Instituto Clima e Sociedade (iCS) é uma organização filantrópica que promove prosperidade, justiça e desenvolvimento de baixo carbono no Brasil. Assim, funcionamos como uma ponte entre financiadores internacionais e nacionais e parceiros locais.
O iCS traça planos de ação frente aos problemas climáticos a partir de uma lente social. Por isso, priorizamos medidas que, além de reduzirem as emissões de gases de efeito estufa (GEE), também gerem melhorias na qualidade de vida dos mais vulneráveis. Nesse sentido, apoiamos a promoção
de empregos verdes, a melhoria de sistemas de transporte público, a criação de infraestrutura de mobilidade ativa e a energia limpa de baixo custo.

Em que consiste o Programa de Eficiência de Refrigeração Kigali (no Brasil, Projeto Kigali)?O Kigali Cooling Efficiency Program – KCEP é um programa internacional, apoiado por 18 fundações filantrópicas, que tem por objetivo potencializar a redução das emissões de gases de efeito estufa e a economia de energia, sem deixar de reconhecer o papel crescente do ar-condicionado como um item essencial para a qualidade de vida e saúde, principalmente diante do aquecimento global.

Uma das iniciativas apoiadas pelo KCEP é o Projeto Kigali, implementado no Brasil sob a coordenação do iCS. O objetivo é o aumento da eficiência energética no setor como forma de contribuir para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa e para a redução dos custos sistêmicos do setor elétrico brasileiro, em benefício do aumento de produtividade e de contas de energia mais baixas ao consumidor
final.
O Projeto Kigali atua em quatro frentes, principalmente por meio do apoio a medidas de eficiência energética no setor de refrigeração e ar-condicionado, de forma integrada à transição para fluidos refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP), em consonância com a Emenda de Kigali.

A Emenda de Kigali, firmada em 2016, entra em vigor em 1º de janeiro de 2019. Quais os principais impactos dessa vigência?A Emenda de Kigali inova ao trazer para o Protocolo de Montreal o compromisso do controle dos hidrofluorcarbonetos (HFCs), os quais não afetam a camada de ozônio, mas são poderosos gases de efeito estufa.Ao estabelecer um cronograma de redução dessas substâncias compatível com as condições dos diferentes tipos de países, é possível enxergar um horizonte claro para a transição do mercado de refrigeração e ar-condicionado, permitindo a sua adaptação sem prejuízos socioeconômicos e fomentando a inovação e o desenvolvimento tecnológico.

A indústria de fluidos refrigerantes parece apresentar certa resistência aos hidrocarbonetos, tanto em relação à segurança (produto inflamável) quanto aos processos de produção, não sendo considerado tão "verde" assim. Qual a opinião do iCS-Projeto Kigali sobre essas substâncias?,O foco do Projeto Kigali é a promoção da eficiência energética em sintonia com a transição para fluidos refrigerantes de baixo GWP. Por isso, nosso posicionamento é que as diferentes opções de fluidos alternativos devem ser testadas, sempre primando pela segurança de todos os envolvidos na cadeia, principalmente nas fases de operação, instalação e manutenção dos equipamentos.

Quais as preocupações e iniciativas do iCS-Projeto Kigali para que todos tenham acesso aos benefícios de processos sustentáveis? Como o iCS entende que o público consumidor irá discernir no momento de adquirir produtos?Entendemos que o consumidor brasileiro carece de informações necessárias para que possa fazer a melhor escolha. No caso específico do ar-condicionado, há dois aspectos principais que podem ser melhorados: a revisão do método de teste aplicadoaos condicionadores de ar, de modo a captar os ganhos de eficiência da tecnologia inverter, como já fizeram a Índia e a China; e rever o Programa Brasileiro de Etiquetagem e o Selo Procel. Atualmente, a maior parte dos condicionadores de ar disponíveis no mercado brasileiro atende ao selo “A” ou “B”, o que indica uma situação de saturação e a necessidade urgente de reclassificação.

 

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